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Como ter um bom relacionamento com seu veterinário, Parte 2

Mariana Benitez Fini

Mariana Benitez Fini
20/05/14

Antes de começar a ler esse artigo, leia a primeira parte de Como ter um bom relacionamento com seu veterinário.

Pronto! Agora que você leu, podemos continuar:

Diga sempre a verdade

Você com certeza já assistiu Dr. House (se não, assita que vale muuuuito a pena!). Uma coisa que o House fala em todo episódio é: “todos os pacientes mentem”. Com a gente é parecido: “todo proprietário mente“. Vai desde o “ele tava bonzinho ontem” – que fala o dono do cachorro caquético e desnutrido – ao “não sei não Doutor. Ele nunca comeu nada estranho” – que diz o dono que confundiu a vitamina do cachorro com o veneno de rato. Aqui também tem historinha e, mais uma vez, aconteceu lá com o Dr. Fulano quando uma amiga minha estava estagiando com ele (o Dr. Fulano ou tem uma vida bastante agtada na clínica dele ou é um mentiroso de primeira – que nem eu…):

Chega o dono do Fila, 60kg, lindo (o cachorro, não o dono!)… com um pusta rombo na cabeça. Todo mundo tinha certeza absoluta que aquele animal tinha levado uma paulada. dr. Fulano pergunta: “Que que aconteceu com esse cachorro?” e o dono responde: “ah, Doutor, eu cheguei em casa ontem ele veio me receber correndo e bateu a cabeça no portão de grade.”. Mentira esfarrapada, óbvio. Dr. Fulano examina o cachorro (sem o dono) e constata que o cara tá mentindo. Um cachorro nunca bateria a própria cabeça por acidente com tanta força. Ele vai na sala de espera e diz pro dono: “Seguinte. Ali no meu consultório tem um representante da Associação de Proteção aos Animais.(Isso era mentira. Mas se o proprietário mente a gente também pode!) O seu cachorro foi vítima de maus-tratos e se você não me contar o que aconteceu, nós vamos ligar pra polícia e você vai em cana.” O dono fica desesperado e responde:  “Não, Doutor! Por favor! A verdade é que eu cheguei em casa de madrugada ontem, tinha bebido umas, me assustei com o cachorro e dei uma paulada na cabeça dele. Mas por favor, não conta pra minha esposa senão ela me mata!”

Não preciso nem dizer que se nós soubermos exatamente o que estamos tratando, o tratamento é mais rápido e eficaz, né? Por isso, sempre diga a verdade para o veterinário, por pior que ela seja. Seu veterinário nunca irá te julgar, ou, pelo menos, não até que seu animal esteja curado.

veterinário

 

Visitando seu pet internado: O que fazer? O que não fazer?

Respeite o horário de visitas:

Mais um segredo: muitas vezes, lá no fundo da clínica nós fazemos alguns procedimentos médicos não muito agradáveis de se ver. Muitas vezes o animal não colabora, então precisamos utilizar focinheiras, prende-lo no cambão, imobilizá-lo e por aí vai. Muitos procedimentos machucam (mas não o suficiente pra correr o risco de se utilizar uma anestesia), sangram, cheiram mal… imagine só você indo visitar seu pet, todo alegre e saltitante, e se deparar com seu amigo peludo no soro, com 4 estagiários segurando (cada um uma pata) enquanto o veterinário tenta fazer uma punção de medula no esterno (procedimento doloroso, é verdade. Mas mais seguro sem anestesia) e seu cachorro gritando e tentando morder. Visão do inferno não é? Aparecendo só nos horários de visita você evita de encontrar seu pet sendo submetido a exames desconfortáveis e vai sempre encontrar a gaiolinha e o animal limpos. (Não que a gente deixe eles sujos!! Mas cachorro sempre faz cocô na gaiolinha e pisa em cima…!). Isso sem contar que você ainda não corre risco de atrapalhar a rotina da clínica. Caso a clínica não tenha um horário de visitas estipulado, ligue antes de aparecer ou já combine com o veterinário os dias e horários em que irá visitar seu mascote.

 

Não leve animais na visita

Isso eu vi acontecendo outro dia. A dona veio visitar o cachorrinho internado e levou o irmãozinho dele. A primeira coisa que fez, foi botar os dois pra se cheirarem. O animal internado estava com cinomose. Uns 4~5 dias depois o irmão foi internado com os mesmos sintomas. Mesmo que o cão que você vai visitar não esteja com uma doença infecciosa, nunca leve outro animal, pois seu pet não é o único na clínica e o “visitante” pode correr o risco de se infectar com uma doença de outro cão. Mesmo que os animais com doenças infecciosas estejam em um canil separado, levar um animal saudável para o alojamento de internação é sempre um risco.

 

Não respire perto, não cheire e principalmente não beije animais internados

Essa eu também vi semana passada. A dona chega pra visitar o filhotinho que está com cinomose (estamos com epidemia de cinomose aqui…). Logo que encontra seu “bebê” ela já vai correndo colocar o rosto perto do filhote pra que ele possa lamber o nariz da dona enquanto ela dá beijos na cabecinha dele. Detalhe que o cachorrinho estava sujo remelento e catarrento. Gente!! Primeiro: não se beija animal (principalmente na boca). Isso além de anti-higiênico (cara, o cachorro tava com catarro até na ponta do rabo! Nojento mesmo!) pode transmitir patógenos de você pro animal e vice-versa. Segundo: O animalzinho na clínica já está debilitado o suficiente sem você passando germes adicionais pro sistema imune dele combater. Se na sua casa é costume dar beijo nos animais, tome um vermífugo a cada 6 meses, escove os dentes do seu animal e seja feliz. Mas na clínica não pode! Lá é local de recuperação e não de maior contaminação.

 

Leve lembranças de casa

Se o seu animalzinho vai ficar um bom tempo internado, deixe uma toalha, almofadinha ou brinquedos trazidos de casa, pra que ele não se sinta abandonado. Só não vale encher o canil de tranqueira! A ração, se possível, traga de casa também (exceto se o seu veterinário disser o contrário). Ou, se clínica possuir pet-shop, compre um pacote da mesma ração que seu animal já é acostumado para que ele continue com a mesma dieta e sinta menos o impacto de estar em outro ambiente.

 

Não telefone ‘para’ o seu cachorro

Tem gente que não acredita, mas isso realmente acontece. O dono liga e pede pra falar com o cachorro! “Oi, leva o telefone pro Toby, por favor. Quero conversar com ele.” Primeiro: o dono comunicativo ali está ocupando o telefone da clínica com besteiras, enquanto alguém com uma emergência pode estar precisando conversar com o veterinário. Segundo: o cachorro não faz a minia idéia do que seja um telefone. Pra ele a voz do dono está vindo do além e ele não entende lhufas. Resultado: o cachorro fica histérico, aumentam batimentos cardíacos, aumenta pressão, ele se enrola no equipo do soro, derruba o soro e estoura a veia. Quem tem que cuidar do cachorro histérico? Pois é….! Se vem visitar, visite. Se não vem, não venha. Telefonemas pro cachorro não, por favor.

 

Não traga petiscos de casa

O animal internado fica em dieta especial (ração de costume + ração especial + vitaminas + suplementos necessários). Comida diferente trazida de casa (petiscos, frutas, frango frito com farofa…) pode dar um desarranjo intestinal e atrapalhar ainda mais a recuperação do seu pet. É o mesmo de você estar internado num hospital, com alimentação balanceada, e pedir uma pizza na Pizza Hut da esquina.

 

Não é muito complicado é? Seguindo essas pequenas dicas você vai contribuir para que o tratamento do seu animal seja mais rápido, mais eficiente e com o mínimo de dores de cabeça pra você, pro seu veterinário e pro seu pet.

Com um pouco de atenção e bom-senso qualquer um vira Proprietário Exemplo – o melhor amigo do cão e do veterinário!


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