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Devolve

Kátia Ignácio

Kátia Ignácio
21/05/14

Olá querido amigo, que aqui mais uma vez volta, para que eu possa compartilhar um pouco dos meus pensamentos e principalmente, dos meus sentimentos.

Como não acredito mesmo em coincidências, quando ouvi, durante uma reportagem, um senhor falando que apesar de ter conseguido amealhar uma boa fortuna, sentia que sua vida não tinha mais sentido e que conseguiu sair desse quadro bastante depressivo, quando ouviu de um amigo a seguinte frase:

-Devolve um pouco!

O fato é que estávamos, naquele exato momento, conversando sobre o egoísmo das pessoas e o quanto falta de engajamento.

Em qualquer ambiente profissional que estejamos e incluo aqui também os ambientes familiares, é possível ver aquelas pessoas que só pedem, que só reclamam, que só exigem dos outros que seus desejos sejam atendidos.

Esses que mais reclamam, são, via de regra, os que mais têm para dar, mas que se abstém disso, sempre para amealhar mais. Seja lá o que for esse “mais”.

Já vi pessoas egoístas até de um abraço, de um sorriso, de um olhar mais fraterno para o seu próximo, que dirá então de algo material. Nem sequer um pirulito a pessoa é capaz de ofertar!

O fato é que essa frase “devolve um pouco” ficou martelando na minha cabeça e me vi pensando na vida de quantas pessoas eu entrei de forma positiva.

Quantas pessoas conseguiram sair de quadros perigosos como são os quadros depressivos com a ajuda do nosso trabalho, mas claro, com outros acompanhamentos também!

Quantas pessoas eu já recebi em minha casa e no meu gatil, que, ao simples fato de entrarem no gatil, já deixaram a emoção aflorar e choraram copiosamente nos meus braços por perdas que sofreram.

A vida é curiosa e nos cria “peças” difíceis de acreditar: Certa vez me ligou uma moça, muitíssimo preocupada com o PKD e senti, claramente em sua voz, que ela estava sofrendo muito com isso.

Depois de uma longa conversa, onde a tranquilizei muito sobre o meu gatil ser isento para essa doença, marcamos um café aqui em casa. Ela veio, mas antes disso, me enviou um e-mail com a foto dela e do gatinho que havia acabado de perder por PKD.

Quando abri a foto eu gelei! O gatinho que ela falava era um lindo gato vermelho, com nome de Eros. Ocorre que eu também tinha, naquela ocasião, um lindo gato, também vermelho e que também se chamava Eros. Esse fato aconteceu bem no começo da nossa criação e o nosso Eros hoje goza da justa aposentaria.

Fiquei pensando no que fazer: Ligar para ela e cancelar a visita? Ligar para ela e falar do “meu” Eros? O fato é que não consegui nem uma coisa nem outra. O telefone da casa não atendia e o celular, por ela estar na estrada, também não pegou.

Ela chegou aqui e já na escada, viu o meu Eros.

Eu só pude dizer: Esse é o meu Eros!

Ali mesmo ela sentou-se e chorou muito!

Ela estava acalentando o plano de um pequeno gatil e tinha em mente que o machinho seria Eros e a fêmea seria Afrodite, para que eles tivessem cupidinhos. O PKD matou esse sonho.

Outras tantas vezes recebi pessoas fragilizadas pela perda de gatinhos amados e queridos, pela perda da saúde ou por terem enfrentado outras “tempestades da vida”!.

O sentimento que nutrimos, eu e meu amado marido, quando, depois de vermos essas pessoas fragilizadas, sensíveis, conseguirem melhorar e tempos depois voltarem a nos procurar, com um sorriso no rosto, com um olhar com brilho e viço, ninguém nem nada poderá pagar. Nós só nos olhamos e nos compreendemos! Não precisamos falar nada um para o outro!

Aqueles que já estão juntos (de verdade) há muitos anos sabem como é isso, basta um olhar e um já sabe o que o outro está pensando.

E aquela frase: Devolve um pouco, retumbando na minha cabeça.

É preciso dizer que “devolver um pouco” pode ou não estar ligado ao aspecto financeiro. Quando dou um forte e caloroso abraço nas “minhas” crianças, mesmo antes de começar o meu horário de trabalho, penso que já estou devolvendo um pouco.

Quando ligo para o meu marido e digo que gostaria de fazer isto ou aquilo para as minhas crianças, ele imediatamente embarca na minha imaginação e se dispõem a me ajudar seja comprando o que for preciso ou mesmo, muitas vezes, me ajudando a fazer colagens, recortes e a preparar coisas para as crianças.

Assim como com nossos gatos, devolvemos um pouco, sempre que recebo alguém com dores profundas na alma, com fortes “tempestades da vida” se abatendo sobre eles e depois os vemos com um sorriso, mesmo que tímido, na saída e tempos depois já mais estabilizados e felizes!

Devolvemos um pouco, nos muitos doces, nas muitas necessidades básicas das crianças que silenciosamente atendemos, nas muitas lágrimas que já enxugamos, nos muitos sorrisos que já conseguimos devolver.

Esse sentimento, essa satisfação é muito reconfortante e nos dá forças para continuar em frente, na certeza de que estamos aqui, com os braços abertos, prontos para acalentar e confortar aquele que nos chega dolorido e sensível.

Então querido amigo, assim como a frase que começou esse artigo repercutiu tão forte em mim, que sirva também para você fazer uma reflexão, um olhar para trás e quem sabe, você também poderá falar para alguém:

DEVOLVE UM POUCO!

Abraços fraternos.

Kátia Ignácio


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