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Escolhendo seu cachorrinho

Mariana Benitez Fini

Mariana Benitez Fini
07/04/14

Chegou aquele dia importante: ir no canil escolher seu novo cachorrinho! Aquela coisinha fofa e peluda que vai ser seu melhor amigo até que a morte os separe. Você já sabe o que quer, o tamanho, a cor e o sexo do seu novo amiguinho. Parece que vai dar tudo tão certo! Você tem tantos planos! Nada pode dar errado, certo?

ERRADO!

Eu costumo dizer que comprar um filhote de cachorro (ou gato) é como comprar carro usado: precisa de muita paciência e se possível um mecânico (veterinário) amigo pra te ajudar, senão você acaba levando gato por lebre, ou no nosso caso, Pinscher por Dobberman. Pra explicar a situação, vou contar a história desastrosa de um amigo, que na pressa por pegar logo seu cachorrinho, acabou tendo um ‘preju’ danado.

Ele queria um Yorkshire Micro (ok, não existe Yorkshire micro, mas “isso é uma outra história que será contada em uma outra ocasião”), macho, já tinha até nome: Maurice. Ele saiu pesquisando na net atrás de um canil na cidade dele, até que uma amiga indicou “uma amiga que vendia York e Maltês”. Preço baratinho, cachorrinhos com pedigree (R$ 50,00 a mais se quisesse pedigree). Bom, hein?

Dia seguinte Thiago tava lá, escolheu seu bichinho, pagou por ele, conheceu mais um cachorrinho do canil (um maltês), ficou sabendo que outros compradores já tinham processado o canil porque os filhotes cresceram mais do que o esperado, mas nem se importou (“coisa de gente que compra cachorro achando que é porquinho da índia”). Pegou seu Maurice e foi pra casa feliz da vida. A carteirinha de vacinação a dona do canil prometeu que “até segunda” entregava, mas que ele já estava todo vacinado e vermifugado.

Chegou segunda, chegou terça, chegou quarta… passaram-se 15 dias, 20…e nada da carteirinha de vacinação. Enquanto o pequeno Maurice, crescia que nem um bezerro. Aos dois meses o cachorrinho já estava com quase 2kg. Mas isso não é o pior! O pobrezinho estava com problema de pele, fezes sanguinolentas… e teve que ser internado em um hospital veterinário.

Isso é o que eu chamo de cair no conto do vigário (ou do dono de canil…). Aí você me pergunta: “poxa, e que que eu faço pra não cair nessa também?”. Existem várias precauções que você deve tomar na hora de escolher seu cachorrinho, pra que não acabe passando por situações indesejáveis mais tarde:

  • Escolher um canil de confiança! Ser amigo do pai do primo do cunhado da vizinha não é certificado de qualidade! Procure referências sobre o canil (site na internet, pessoas que já compraram lá, etc). Procure saber o máximo possível sobre o local de origem do seu animalzinho.
  • Pedigree não é sinal de qualidade! “Meu cachorro tem pedigree, ele é perfeito!” Ceeerto, eu também tenho RG e CPF e daí? O pedigree nada mais é do que um documento, atestando que seu cãozinho é de raça pura e relatando seus parentes mais próximo (pais e avós). No Pedigree estão inclusos os possíveis prêmios e certificações que os familiares do seu bichinho têm. Mas só isso. Não significa que seu cachorro é 100% livre de problemas e complicações e nem que vai estar 100% dentro do padrão da raça quando crescer! Cuidado! Pedigree não é certificado de qualidade ISO 9001!
  • Conhecer os pais e irmãos (se possível) do seu cachorrinho! Se você tiver a oportunidade de conhecer os pais do seu amiguinho já pode ter uma idéia de como ele vai ficar e se comportar quando for adulto. Procure saber também se há alguma doença congênita na linhagem. Avalie o comportamento dos irmãozinhos (se possível). Brinque com os pais, veja como eles se comportam, se são dóceis, se avançam, etc. Avalie nos pais o padrão da raça e saúde (pra isso eu recomendo chamar um veterinário de confiança), as orelhas estão na posição certa? O tamanho está certo? E a postura? Tem algum problema respiratório/cardíaco/hepático/no pêlo, etc. Tudo isso é muito importante pra evitar futuras dores de cabeça! Se o dono do canil se recusar a mostrar os pais do cachorrinho e os outros animais, desconfie!
  • Exija carteira de vacinação e registro de vermifugação! Sempre! Não confie no “ah eu vacinei e vermifuguei, sim. Eles estão limpinhos.” Seguro morreu de velho (e já faz muito tempo!). Exija sempre a carteirinha de vacinação! É um direito seu! Se o proprietário do canil se recusar a entregar ou quiser enrolar com o “levo pra você mais tarde” simplesmente não leve o animal pra casa (e muito menos pague por ele!) até que tenha a carteirinha de vacinação em mãos.
  • Fiz tudo isso, mas pouco tempo depois de chegar em casa, meu cachorrinho ficou doente! E agora? Primeiramente você vai consultar um veterinário de confiança. Em se tratando de uma doença contagiosa que possa ter sido adquirida no canil, você deve comunicar ao proprietário para que ele possa tomar as atitudes necessárias. Não adianta ficar pensando “aquele filha da **** me vendeu um cachorro doente! Espero que ele morra entalado no vaso sanitário!”, às vezes o proprietário do canil não tem consciência de que seu estabelecimento está contaminado e cabe a você alerta-lo para que ele possa fazer tudo que for possível pelos outros animaizinhos que ainda estão lá, expostos à doença!
  • Já caí no conto do vigário! Comprei uma coisa por outra, estou arrependido, fui enganado. Que que eu faço? Primeiramente, você está lidando com uma vida, não com um objeto. Largar o cachorrinho na rua, dar “de presente” praquele vizinho que cria pitbull assassino (ou qualquer outro animal que possa vir a ser um risco) e principalmente matar o animal é crime! Largar ele esquecido no canil e só dar comida de vez em quando também é crime! Se por algum motivo você realmente não pode ficar com esse animal eu sugiro os sites de adoção, com o AdotaCão que procura lares para animais abandonados/indesejados. Mas lembre-se: o animal é um ser vivo, ele sente dor, medo e abandono e você é responsável por esta vida desde o momento em que o levou para casa. Seja responsável!

E não se esqueça: comprar um cachorrinho exige muito tempo, pesquisa e paciência. Não se deixe levar por aqueles olhos grandes e redondos e depois se arrepender por ter que criar um São Bernardo dentro de um apartamento de 30m²!