1.6k
LEITURAS

SAÚDE

Pluto e eu

Rochele Prass

Rochele Prass
13/05/14

Os resultados de exames ficaram prontos e a veterinária me ligou para falar do diagnóstico: “Tudo justifica um quadro de insuficiência renal crônica”. Então, ela me falou sobre os tratamentos iniciais, as medicações de uso contínuo e as aplicações contínuas de soro, que poderiam ser feitas em casa. Mas eu? Eu aplicar soro? Eu julguei que isso estava muito além das minhas possibilidades. Naquele telefonema, eu devo ter feito algumas perguntas idiotas, porque até ali eu estava feliz com o resultado negativo de felv / fiv. Depois, eu me lembro dela dizendo: “Rochele, você agora precisa entender que é tutora de um gatinho especial”. Ali, a minha vida mudou muito. Meu gato é muito mais dependente de mim do que qualquer animal de estimação.

O Pluto é um gatinho lindo e manhoso, um SRD de quatro anos e meio que mora comigo e o irmão dele, o Gordo. Ele urinava bastante e bebia muita água, o que me deixava bastante satisfeita, já que há cerca de dois anos ele teve um problema de cálculo renal. Depois, começou a emagrecer e quando vi que ele tinha um hálito horroroso e estava se recusando a comer, corri para o veterinário.

A doença crônica de um pet causa um sofrimento enorme. Você tenta descobrir o que fez de errado, não tem noção alguma de como vai conduzir o tratamento, que geralmente é dispendioso. Você precisa ajustar o orçamento porque o animal passa a exigir recursos que dão uma boa derrubada no cofrinho. Se você é do tipo que esquece de tomar os próprios remédios quando é necessário, agora você terá a missão de dar remédio para um gato (em alguns momentos, o Pluto chegou a tomar 13 doses de medicações diárias, além da fluidoterapia).

plutoPluto – Fotografado por Pedro Quintana

Eu comecei a conviver com o medo de perdê-lo, a sensação de impotência e descobri que os  desafios não seriam poucos. Eu já sabia que meu gato precisaria de cuidados para o resto da vida. Mas na semana que ele passou a tomar medicação de uso contínuo, sempre no mesmo horário, me dei conta que definitivamente a minha rotina seria outra (e sabia que faria de tudo para que assim seja por muitos e muitos anos).

Eu me dei conta que não poderia ficar mais de 12 horas fora de casa, teria sempre um horário para acordar ou para chegar à noite. Precisaria de caixinhas para organizar os remédios por dia e não me confundir. Espalhei banheiros de gato pelo apartamento para que ele pudesse se aliviar à vontade. E muitos potes de água. O convívio social passou a ser diferente e sabia que, de alguma forma, só teria perto de mim pessoas capazes de entender todos os “não posso”, pessoas de bem, capazes de entender o valor de uma amizade entre humanos e gatos.

Li tudo que achei na internet sobre a doença e ainda assim, me sentia completamente sozinha.  Precisava trocar informações, saber de outras pessoas qual era a rotina, como dar qualidade de vida e desacelerar o processo de falência renal.  Sabia que, com o tempo, as coisas seriam mais fáceis de administrar. O passo seguinte, baseada nas minhas próprias experiências (sou jornalista e especialista em marketing digital), foi criar o grupo de apoio no Facebook:  Insuficiencia Renal Felina – convivendo com gatos renais.

Aprendi muito… Errando, acertando, pesquisando, mudando técnicas e conhecendo outras experiências. Hoje, o Pluto faz soro em casa dia sim dia não. Conseguimos transformar este momento em algo prazeroso. Por isso, a ideia aqui é compartilhar  experiências de manejo, dicas com entrevistas com profissionais mostrar que, com amor, dedicação e tempo, conseguimos reenquadrar uma rotina. Aliás, é legal ficar bem claro sempre: o melhor conselho é sempre o que vem do veterinário que acompanha o animal. Na próxima postagem, contarei como conseguimos (Pluto e eu) fazer da fluidoterapia um momento tranquilo.


Cadastre-se no Petiko e veja os prêmios gratuitos que o Petiko tem para seu pet.

Veja mais artigos do Petiko: